Capítulo 1 – É hora recomeçar… novamente!

O esperado nos mantém fortes, firmes e em pé. O inesperado nos torna frágeis e propõe recomeços. Machado de Assis O romancista brasileiro está correto quando faz esta afirmação. Caminhar de cabeça erguida, feliz e sorridente não exige nenhum sacrifício quando tudo vai bem. Quando o esperado é a rotina. A rotina que muitas vezes é desprezada por alguns é sinônimo de paz para outros. Os altos e baixos da vida, as oscilações inesperadas, a mudança de temperatura, as nuvens escuras, mesmo sendo parte integrantes da história, causam impactos indesejados.

Noemi experimentou momentos assim! Não há relatos de sua vida quando residia em Belém com seu esposo. O brilho desta mulher reluziu justamente num momento frágil: a migração para terra de Moabe. “Na época dos juízes houve fome na terra. Um homem de Belém de Judá, com a mulher e os dois filhos, foi viver por algum tempo nas terras de Moabe.” Rute 1U1 É provável que a decisão da mudança tenha sido do marido. Ela apenas seguiu seus passos. Com o desconhecido a sua frente aquela família deixou a Casa do Pão – significado de Belém – para uma aventura em Moabe.

A Moabe dos tempos bíblicos era uma faixa de terra com montanhas e vastas planícies, de solo bem fértil, na região da atual Jordânia, na parte oriental da margem do Mar Morto. Judá viveu uma longa época de fome por causa da estiagem, mas Moabe, por estar numa região mais alta e isolada, recebia muitas chuvas, mantendo a atividade agrícola, com seus vastos trigais.

A esperança de um novo tempo foi interrompida com o falecimento de Elimelqeue, seu marido. Ela se viu sozinha com os dois filhos. Os rapazes na intenção de perpetuar a família casaram-se com duas moabitas – Rute e Orfa. 10 anos de estabilidade até que os ventos contrários batem à porta da viúva: a morte dos filhos. Mais uma perda, talvez a mais pesarosa. Sozinha, numa terra estranha, longe de suas origens, responsável pelas duas noras. A solução era regressar para Belém. “Quando Noemi soube em Moabe que o Senhor viera em auxílio do seu povo, dando-lhe alimento, decidiu voltar com suas duas noras para a sua terra.” Rute 1U6

No caminho de casa a sogra alerta as noras: “Vão! Voltem para a casa de suas mães! Que o Senhor seja leal com vocês, como vocês foram leais com os falecidos e comigo. O Senhor conceda que cada uma de vocês encontre segurança no lar doutro marido”. Então deu-lhes beijos de despedida. Mas elas começaram a chorar bem alto e lhe disseram: “Não! Voltaremos com você para junto de seu povo” Rute 1U8-10

O diálogo dramático entre elas é retrato de um período de amor e respeito que tiveram juntas. Construíram uma relação sólida. Noemi não estava sozinha. Mas sua visão de si mesma era deturpada. Cria que estava abandonada: “Voltem, minhas filhas! Vão! Estou velha demais para ter outro marido. E mesmo que eu pensasse que ainda há esperança para mim — ainda que eu me casasse esta noite e depois desse à luz filhos, iriam vocês esperar até que eles crescessem? Ficariam sem se casar à espera deles? De jeito nenhum minhas filhas! Para mim é mais amargo do que para vocês, pois a mão do Senhor voltou-se contra mim! ” Rute 1, 12,13

Orfa de fato retornou para sua família. Rute, no entanto, fez a declaração que mudaria a história de Noemi: “Não insistas comigo que te deixe e não mais a acompanhe. Aonde fores irei, onde ficares ficarei! O teu povo será o meu povo e o teu Deus será o meu Deus!
Onde morreres morrerei, e ali serei sepultada. Que o Senhor me castigue com todo o rigor, se outra coisa que não a morte me separar de ti! ” Rute 1U16,17

Os recomeços fazem parte da história. Eles são necessários para alinhar caminhos. Reorganizar ideias. Destruir conceitos. E quando tudo estiver acomodado… é hora de recomeçar… novamente…

Um dia de paz!

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